CONHECENDO PORTUGAL EM 3 DIAS

Fazer um mochilão na Europa por 20 dias foi um dos primeiros desafios que enfrentei quando o assunto é viagem. Além da história que já conhecemos, de que na Europa tudo é muito caro, eu tive que fazer um planejamento bem estruturado da viagem, para não correr o risco de dar tudo errado, ou pelo menos, quase tudo. A primeira coisa que eu falo para todo mundo é: se você comprar um chip de celular que funcione em outro país, espere até chegar para colocar ele no seu celular, ou coloque antes de sair de onde está. Isso por que eu tive a má experiência de ter perdido o meu chip dentro do avião (óbvio que eu nunca mais achei). Com a perda do chip eu acabei gastando 80 euros SÓ comprando chip pelos países que passei. E como eu visitei cinco países, vocês já podem imaginar a dor de cabeça que deu. Mas sem bad vibes aqui hein!?

Hoje eu vim falar sobre um dos cinco destinos da minha trip, e também um dos destinos que mais amei conhecer: Portugal. Como os meus voos de chegada e partida eram de Portugal, acabou que fiquei um tempo maior por lá. Fui em fevereiro, então estava um pouco frio ainda (mesmo Portugal sendo o lugar mais quente pelo qual passamos), o problema nem é o frio, é o VENTO. A primeira impressão que eu tive de Portugal foi “um Brasil mais antigo que deu certo”, porque para todo lado que eu olhava em Lisboa, me lembrava o Brasil dos livros de história, sabe? Os carros mais antigos e a arquitetura me lembraram um pouco das ruas de São Paulo.

A primeira coisa que eu fiz quando cheguei em Portugal foi pegar um metrô e ir pro hotel. Eu viajei com meu esposo e nós estávamos muito cansados, mas como eu sou espertinha, já havia pesquisado antes de ir onde ficavam os mercados e padarias mais próximos do hotel. Por sorte havia um mercadinho há 2 ruas para baixo, e foi lá que compramos nossa refeição completa do dia seguinte.

Acordamos e fomos logo embarcar passar um dia em Porto e, se tudo desse certo, iríamos assistir a um jogo da Champions League. Como nós gostamos bastante de futebol, era algo importante para nós. Chegando em Porto pegamos direto um metro para o Estádio do Dragão, que é o estádio oficial do Futebol Clube do Porto. As bilheterias ainda estavam fechadas, mas o que tinha de cambista na porta, não dava para contar. Preferimos comprar direto na bilheteria, pois os riscos dos ingressos serem falsos é bem alto. Conseguimos os nossos tão sonhados ingressos do jogo do Porto contra o Juventus, foi surreal para nós. Conhecemos o entorno do estádio, loja oficial e tudo mais.

Depois fomos direto para a livraria Lello e Irmão, porque como fã de Harry Potter desde os sete anos, eu não poderia deixar de conhecer a livraria que inspirou J.K. Rowling. Pagamos 15$ para entrar na livraria, mas valeu cada centavo, foi muito mágico. Acho que para quem é Potterhead, conhecer coisas que envolvem a história, sempre será muito mágico e nostálgico. É incrível imaginar que J.K. se sentou em alguma daquelas cadeiras para escrever, ou que ela folheou algum livro das estantes.

Pelas 11:00 da manhã estávamos verdes de fome e descobrimos um “café” ao lado da livraria. Eles serviam pratos de comida então optamos por já fazer uma refeição reforçada. Eu não sei se era porque eu estava morrendo de fome, mas eu pedi um macarrão à carbonara que foi a coisa mais deliciosa que eu já comi na minha vida. O problema é que o prato era enorme e eu não consegui comer tudo, mas confesso que depois, quando bateu a fome de novo, eu me arrependi de não ter comido aquele resto que eu deixei no prato. É sempre assim, né!? O jogo começava por volta das 19:00, portanto tínhamos que chegar lá pelo menos umas 17:00. Não tínhamos muito tempo para conhecer Porto melhor, por isso andamos por alguns pontos turísticos que ficavam “perto” de onde estávamos e que dava para ir andando. Depois de um tempo andando e conhecendo alguns pontos, voltamos para o estádio.

O metro estava LO-TA-DO. Cheio de italianos conversando absurdamente alto, pessoas cantando, parecia que já estávamos dentro do jogo. Fiquei um pouco impressionada, mas não sabia o que viria depois. Ao sair do vagão, uma multidão se encontrou na escadaria, pessoas cantando musica do Porto, a multidão praticamente nos carregava. A energia que rolava ali, era incrível, não dá nem para descrever. As nossas garrafas de água e comidas foram barradas na portaria, mas comemos um hotdog com batata frita delicioso dentro do estádio.

No dia seguinte fizemos um passeio de ônibus até a cidade de Fátima. Fomos na parte da manhã e voltamos pelas 15:00. O santuário é lindo e para quem é mais religioso chega a ser emocionante. Uma dica: procure por bons restaurantes em Fátima para comer. Não tivemos tempo de olhar e por isso ficamos com fome até a volta. Deixamos a parte da tarde para conhecer melhor Lisboa e fazer umas comprinhas. Fomos até o El Corte Inglês e aproveitamos bastante os preços por lá. Dá para comprar muita coisa boa e barata em Portugal, e na Europa em si, só tem que saber o lugar certo de ir. Fui conhecer Belém e estava SECA para experimentar o famoso pastel de Belém. Confesso que me surpreendi bastante com o bendito pastelzinho. Ele é crocante e cremoso ao mesmo tempo, nada parecido com os que vendem no Brasil. Esse dia estava muito frio e com ventos muito fortes, queríamos conhecer mais coisas, porém o frio não deixou. Na manhã seguinte fomos para Roma, na Itália, mas isso vai ser história para outro post!


Esse post faz parte do projeto “leitores no blog” onde cada um pode enviar sua história de viagem e aparecer por aqui. O post de hoje foi escrito pela Laila Zago. Obrigada, Laila <3

Rowling e Portugal

Já fui algumas vezes pra Porto, que é “vizinha” de Braga, e acho uma das cidades mais apaixonantes de Portugal. Um tempo atrás, fomos desbravar e conheci um dos lugares mais incríveis que já fui até agora. Nessa vez, decidi que não faria um programa de turista “tradicional”, mas sim, iria descobrir alguma coisa além da Ribeira (que é linda e inspiradora, por sinal), e dos pontos turísticos mais movimentados. Assim, aproveitei e resolvi seguir algumas dicas da cidade que são relacionadas com Joanne Kathleen Rowling. O que não foi nada mal, mesmo para quem não gosta de Harry Potter.

Antes de falar delas, vale explicar: o que Porto tem a ver com a autora de Harry Potter?

Acontece que Portugal foi marcante para Rowling. De 1991 a 1993, ela lecionou inglês na Encounter English, em Porto. A opção de aceitar o cargo se deu ao fato de conturbações familiares, e foi visto como uma chance de escape. Nesse período, ela dividiu um apartamento na cidade com duas amigas e também professoras: Jill Preweet e Aine Kiely (que mais tarde ganhariam a dedicatória do terceiro livro da saga, O Prisioneiro de Azkaban). Foi na cidade que ela conheceu um estudante português chamado Jorge Arantes.

Apesar de J. K nunca falar abertamente sobre essa parte, o que se sabe (a maior parte revelada por Jorge, já que Rowling fala muito pouco ou quase nada sobre a vida em Portugal) é que os dois se apaixonaram e foram viver juntos, casando-se em agosto de 1992, após ela sofrer um aborto espontâneo. Mesmo com o relacionamento abalado e com brigas frequentes, em 1993 Joanne deu à luz sua primeira filha. No mesmo ano, o casal se separou após brigas terríveis, quando o marido a expulsou de casa. Foi o fim da vida em Porto para ela, que deixou a cidade com sua filha e voltou ao Reino Unido, junto com os três primeiros capítulos e notas para o restante do livro.

Mas nem tudo foi tragedia durante o seu tempo na cidade.

Quando chegou, em 1991, já haviam esboços sobre o universo de Harry Potter, e segundo dizem, foi em Porto que o primeiro livro, e detalhes da série, começaram a tomar forma. Segundo ela, foi onde seu capítulo favorito de A Pedra Filosofal, O Espelho de Ojesed, foi escrito. Além disso, reza a lenda que, ao ver as roupas dos estudantes universitários portugueses, pretas e com uma capa por cima, lhe veio a inspiração para as vestes usadas pelos estudantes de Hogwarts.

Traje tradicional dos veteranos das universidades portuguesas, usadas principalmente na época das praxes.

Na sua nova vida, ela preservou um hábito que tinha desde antes: escrever em cafés ou bares, durante seu tempo de folga. Na época em que viveu em Porto, Joanne Kathleen era apenas mais uma das muitas milhares de pessoas que viviam na cidade, ainda não tinha a fama de hoje. Então evidentemente sua presença passava despercebida nesses espaços. Porém, segundo Sean Smith, responsável pela biografia da autora, um dos seus lugares preferidos na cidade era o Majestic Café, no centro da cidade. O lugar é uma das cafeterias mais bonitas do mundo, e desde antes da autora de Harry Potter, já era marcado como um ponto de encontro de cultura e arte na cidade.

Agora a parte que mais importa…

Na cidade, apesar de passar muito tempo escrevendo, o seu lugar preferido era uma charmosa livraria no centro da cidade. A Livraria Lello e Irmão, conhecida também como Livraria Chardron, famosa por ser uma das mais belas do mundo, e eleita em 2008 como a terceira mais bonita (na mesma lista que colocou a El Ateneo em segundo). Depois dessa pequena introdução, é aqui que o meu passeio começou.

NO FOTOS PLEASE! SEM FOTOS, POR FAVOR! É a primeira coisa que você escuta ao entrar na livraria, que tem mais de 100 anos de história. O prédio, concebido pelo arquiteto Xavier Esteves, é um dos mais emblemáticos representantes do neogótico portuense. Talvez o que mais chame atenção no quesito arquitetura é a escada que dá acesso ao segundo andar, com sua forma descrita como “uma flor exótica”. Além disso, os vitrais no teto, as prateleiras e os pilares onde estão esculpidos grandes nomes da literatura portuguesa, deixam o visitante de primeira viagem perdido, sem saber para onde olhar primeiro.

São mais de 120.000 mil obras, expostas nas prateleiras, expositores, mesas e até no “chão”. Fiquei algumas horas explorando os títulos expostos, dos novos aos raros e antigos, que ficam guardados nas prateleiras altas e protegidas com vidro, e que estão lá apenas para exposição. Andar pelos corredores estreitos apenas observando é quase como voltar no tempo, e me demorei a ir embora porque fiquei apaixonado pelo clima do lugar. Sem dúvidas essa não foi a minha última visita à Lello.

Antes de acabar, volto um pouco para a relação da livraria com J.K. Segundo a própria autora, o ambiente da Lello foi a sua inspiração para criar a livraria Floreios & Borrões, lugar mágico onde os estudantes compram seus livros para Hogwarts, e que aparece em cenas de A Câmara Secreta. Apesar disso, a livraria do filme não usou como locação o espaço original, deixando a versão de cinema um tanto quanto morta visto a beleza da verdadeira.

Por Felipe Schramm.